Copa: Por que países alertam para a insegurança no Brasil?
Leia no editorial desta sexta-feira (07) em O Liberal
Foi Nelson Rodrigues, o genial Nelson Rodrigues (1912-1980), quem cunhou a máxima de que “a seleção brasileira é a pátria de chuteiras”. Ninguém sabe se ainda é. Mas era, pelo menos naqueles tempos.
Não há dúvida, todavia, que o furor político-partidário pretende tornar um crime de lesa-pátria, um crime de gravidade máxima, imperdoável, praticamente uma traição à Nação qualquer crítica que se faça à organização da Copa ou a qualquer tema que exponha, nua e cruamente, as dificuldades que aqui poderão encontrar os turistas que vierem para assistir aos jogos do Mundial.
Até parece que o exercício democrático de divergir está na reserva, saiu provisoriamente do gramado, está contundido e não entrará em campo.Até parece que as críticas à organização da Copa ou à insegurança que poderá expor a riscos os turistas - como também os brasileiros - representam uma torcida contra, uma secação contra os bons propósitos de fazer deste Mundial que se aproxima o “melhor de todos os tempos”, conforme anseia a propaganda oficial.
Não espanta, assim, que o furor político-partidário levante suas vozes contra a recomendação que alguns países têm emitido para seus nacionais que estão com passagem marcada para assistir à Copa no Brasil.
O Ministério das Relações Exteriores da França passou a exibir em seu site uma série de recomendações para quem está como Brasil na agenda. O manual alerta que é grande o risco de sequestro-relâmpago e faz um alerta: esse tipo de crime pode acontecer a qualquer hora do dia ou da noite. Foram 540 casos, só no ano passado, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal.
No Rio de Janeiro, a recomendação é para ter cuidado nos passeios turísticos e na rodoviária. Em São Paulo, as áreas de risco são a Praça da República, a Estação da Luz e a Praça da Sé, onde só em janeiro houve 788 furtos, segundo a polícia. O site também diz que a violência cresce em Salvador e Recife.
A Austrália, de seu lado, também manifesta sua preocupação com os sequestros-relâmpago não apenas em Brasília, mas no Rio, em São Paulo, em Salvador e no Recife. Outra recomendação é evitar participar de manifestações, que podem descambar para a violência, além de interromper o transporte público e privado.
A Itália alerta seus nacionais de que Brasília aparece logo depois do Rio e do Nordeste como locais onde se deve tomar cuidado com a dengue. Também alerta para os sequestros-relâmpago, frequentes mesmo em bairros de classe média e média-alta de todo o país.
A Espanha emite claras recomendações para que seus turistas adotem cautelas para defender-se contra a criminalidade avassaladora que, com a licença do trocadilho, assalta o país.
O furor político-partidário entrevê - ou vê muito claramente - em tais advertências a intenção de manchar a imagem do Brasil, a maliciosa pretensão de fazer com que o país assuma o perfil de reino do banditismo.
Mas não é isso que nós mesmos dizendo por aqui?
Não dizemos que o Brasil é um dos países mais violentos do mundo?
Não constatam os próprios brasileiros, todo dia, que estão reféns do banditismo, que se encontram literalmente atrás das grades de suas casas, enquanto os criminosos se encontram à solta, matando, sequestrando e apavorando todo mundo?
As advertências emanadas dos governos de outros países não são as mesmas que milhares, milhões de brasileiros seguem naturalmente, quando saem às ruas?Por que o furor político-partidário, em vez de antepor-se enfurecidamente a essas recomendações, não as apoia, até mesmo para demonstrar que o importante é proteger a vida humana da sanha de criminosos?
Por que considerar um crime de lesa-pátria reconhecer que o Brasil tem sido o reino do banditismo e que precisamos nos acautelar de criminosos?
fonte:O Liberal
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